Digitofagias
DigitoFagia :: CameloDromo :: InstallFest :: VjBr :: AntiFesta :: DeBates ::BurnCopyStation :: VideosDigito :: Recicle1Politico :: ProgramacaoSP :: DigitoRIO ::
Digito Cookbook
http://publicacoes.midiatatica.info/digito_cookbook.pdf
Net_cultura (no prelo)
aparelho + radical livros
http://publicacoes.midiatatica.info/netcultura_digitofagia.pdf
Digitofagia - São Paulo
Centro de mídia independente
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/10/293137.shtml
Renata Aquino
http://aquinoribeiro.sites.uol.com.br/fdigito/index.htm
Digitofagia - Rio
Relatório DIGITOFAGIA (RJ), dias 14, 15, 16 e 17 de outubro de 2004
Roberta "Candace"
CLAM - Consciência, Liberdade, Atitude e Movimento
MHHOB - Movimento Hip-Hop Organizado do Brasil
Opinião pessoal
Recebi o convite pelo grupo e, como os 2 primeiros dias do evento eram na minha universidade, achei que seria uma vergonha não ir. Demorei um pouco para achar o local, acho importante frisar isto, porque notei que não foi um encontro divulgado, me parece que pessoas escolhidas receberam o e-mail. Não tinha uma puta divulgação como eu imaginava, quando eu finalmente descobri alguém que sabia sobre o evento, me deu um flyer, mas eu já a tinha a programação completona...
Dia 14 de outubro
Definição do que é mídia tática (muitíssimos detalhes a mais em: www.midiatatica.org.br).
Mídia são os meios de comunicação. A discussão passou pelos meios de comunicação dominantes, que alienam as pessoas...
E táticas são as técnicas através das quais os mais fracos se tornam mais fortes que seus opressores. Daí eu já notei que tinha uma relação forte com os movimentos sociais, pois o ponto chave deles é o barateamento dos equipamentos de produção de mídia, e aí entra o Software livre. Se o software não fosse livre os movimentos não poderiam se beneficiar, não pela impossibilidade de adquiri-lo, pois atualmente a pirataria é descarada, mas pelas multas que podem ser recebidas, por quem pirateia. É a guerra de informação.
Eles falaram de um laboratório (ou oficina) remunerado de mídia que foi feito na periferia de SP, em São Miguel Paulista em março deste ano.
O encontro era de pessoas que faziam faculdade de comunicação social, mas a interdisciplinaridade é evidente, pois quando se fala em comunicação, não tem quem fique de fora. E também tinha alguns artistas plásticos e locutores de rádio.
Deram alguns macetes que talvez possam ser úteis, em termos de mídia: deve-se transitar entre o artístico e o social, usar o simbolismo para atrair a mídia para si próprio (palavras de uma professora da universidade, que me fizeram viajar...)
E esse simbolismo deve mesclar arte, informação e política; sendo que a arte é mais uma tática para intervir num comportamento social. Aqui devo abrir um parêntese, porque acho que todos nós já sabíamos isso quase que intuitivamente, e não é à toa que militamos no hip-hop.
E, por outro lado, vejo que a grande mídia usa isso da maneira mais demoníaca possível, criar grupos com letras cretinas, uma musicalidade boçal, um apelo visual intenso é a fórmula mágica para manter o povo na alienação total. Quando algum movimento cultural começa a se destacar e, após muitos anos para que continue sobrevivendo, passa a ter algum destaque (que é a própria mídia que dá), logo ele cai numa quase-prostituição e o objetivo, que era destruí-lo, foi concluído. A Tv é mestre nisso: atualmente tem hip-hop na novela das oito, tambor de criola na das seis, um black power é ícone da beleza adolescente... Pó, ta na cara que isso é pra vender, eles pegam o que é nosso, que a gente não que vender SOMENTE, usam das técnicas deles e vendem como se fosse água, e nós não ganhamos nada, além de ficarmos “fora de moda” depois que a onda passa.
Não é viagem minha, nem dos meus camaradas, nem do pessoal do mídia tática, é o que acontece de fato. Estou estudando isso na mesma faculdade de Psicologia , que foi onde esse “engenheiros sociais” se formaram. Félix Guattari tem vários textos sobre isso, é matéria de prova...
A idéia é usar do mesmo conhecimento técnico que os caras têm, só que para fazer o bem.
Ainda, naquela tríade arte-informação-política, tem o detalhe chave, de que o sujeito só vai saber que se trata de política depois. No caso da grande mídia, ele nem sequer chega a saber.
Outra coisa, o uso da intervenção, choque e escândalo, para trazer o tal do simbólico para si. O negócio é lidar com os opostos, mas que estes sejam implícitos.
Por exemplo, há algum tempo, o pessoal do MST que estava acampado na zona Oeste do Rio (a mais pobre), decidiu pegar um ônibus e ir passear no Shopping Rio Sul. Não tem nenhuma lei que proíba ninguém de entrar num shopping (não explícita) mas nas entrelinhas, aquele lugar não é para Sem-Terra, eles não deviam estar ali. No fim, todas as lojas fecharam as portas, com medo dos pobres e isso foi notícia por 3 dias nos jornais.
É o mesmo caso da Universidade Pública. Ela não é universal, não foi feita para todos. Os poucos negros que entram ou tiveram que ralar absurdamente ou são africanos fazendo intercâmbio. Uma professora que se posicionava a favor das cotas até deu uma idéia: levar um ônibus de um PVNC, só com negros. Imediatamente a reação será de estranhamento. Porque se sabe nas entrelinha que a universidade não foi feita para os negros. Outro exemplo: no Globo Repórter da última sexta-feira, o tema era sobre os moradores de rua. Eu e o K2 estranhamos de ver um morador de rua com a pele alva e cara de playboy. Pensamos logo que ele devia ter fugido de casa por casa das drogas.
Esses exemplos são só para mostrar como essas representações são passadas para todas as pessoas e nem nós mesmos estamos livres delas. O que deve ser feito é um trabalho muito a longo prazo, e aí eu defendo que começa-se com as crianças.
Depois disso a discussão ficou rolando acerca do tema: “o quanto a mídia tática é arte?”
Na segunda parte, foi apresentado um grupo de pessoas que são da universidade nômade. È um grupo que se conheceu no FSM e defende a mudança no acesso à universidade, à educação em geral, e mesmo na forma como ela se dá. Segundo eles, existe uma desigualdade elitista e critérios raciais estão relacionados, num dado contexto.
Eles criticaram o discurso corporativista dos professores, que pedem mais vagas para eles mesmos, e não pedem mais diversificação no público, no caso os alunos. Eles falaram novamente que a universidade é pública, mas não é universal. Está restrita às elites. Dessa forma, o ensino acaba ficando empobrecido, pois não há diferenças, que são justamente o ponto das discussões. Se esta diversidade existisse, o sistema deixaria de ser uma reprodução de conhecimento e passaria a ser de produção.
A Universidade Nômade é a favor das cotas.
Dia 15 de outubro
Como eu trabalho em madrugadas alternadas, não fiquei muito tempo na sexta-feira, porque tinha trabalhado na noite anterior e estava quase desmaiando de sono. Desculpem-me, vou passar só até a parte em que pude controlar o sono.
Neste dia o tema era sobre a propriedade intelectual, que está diretamente relacionada ao capitalismo. Eles mostraram exemplos de quem era a favor e de quem era contra a propriedade intelectual.
Os índios da tribo munduruku são a favor, pois não bastasse o povo indígena ter sido quase que exterminado, querer tirar a cultura deles já soa como o tiro de misericórdia. É uma questão de sobrevivência da cultura deles, daí o interesse em preservar a propriedade intelectual.
Por outro lado, o software livre é a corporificação do que é NÃO preservar a propriedade intelectual. É uma re-visita ao comunismo, onde quem criou o programa, não deixou nenhum segredo, para que alguém possa modifica-lo e até corrigir erros e disponibilizar na internet a versão corrigida. Mas também fica por conta do usuário o que ele vai fazer com o programa e com a máquina dele.
Assim, a internet é a instituição da GLOBALIZAÇÃO, enquanto o software livre é a CONTRA-HEGEMONIA do capitalismo.
Uma vez li em Milton Santos, geógrafo brilhante já falecido, que a Internet era o ponto-chave da Globalização. Esta, por sua vez, tem seus pontos negativos, com relação à exploração das nações menos desenvolvidas, mas por outro lado, possibilitaria a formação de uma comunidade GLOBAL gigantesca de solidariedade. Esse foi o tiro pela culatra da globalização. Agora ficou fácil, fácil subversivos se articularem e planejar intervenções no sistema. Só para confirmar a genialidade de Milton Santos.
DIA 16 DE OUTUBRO – Na Prática
Neste dia rolou a convivência troca de contatos do pessoal, porque houve uma Anti-Festa no Projeto Subsolo (Lapa), muito bacana.
Na sede da Rádio Madame Satã, pessoas na UERJ que lutam pela implantação do Linux lá, nos ensinaram, gratuitamente, a instalar o programa e falaram das diferentes distribuições...
O Linux pode ser rodado diretamente do CD, sem que seja instalado na máquina. O inconveniente é que ele fica com menos memória de trabalho e pode ficar meio lerdinho para realizar determinadas ações. Nada que não seja resolvido quando você instala-lo.
É possível usar dois sistemas operacionais uma mesma máquina. È só particionar o HD (chame alguém que saiba). Aí quando você liga o Pc tem que sempre escolher se vai entrar no linux ou no windows.
O Linux é mais estável, as correções são disponibilizadas mais rapidamente, pois todo mundo pode corrigir.
Com o Linux você pode ter uma torre (o computador em si) e até 3 teclado e 3 monitores, usando-os simultaneamente como usuários diferentes. Olha a economia dos cursos de informática comunitários...
Os hackers ainda não se preocuparam em criar vírus para o Linux, logo (até agora...) ele é imune, os vírus só funcionam em Windows.
As distribuições: conhecemos o Kurumin, que é o mais compacto; o Mandrake, melhor para usuários iniciantes, porém maior (5 CDs), e o Kalango que é uma versão feita por meninos de 15 anos.
Quanto você instala o programa, ele vem com ferramentas que te permitem expandir o programa, como o update do windows. Então você pode transformar seu Kurumin num “Cacique”
O software é livre no sentido que qualquer pessoal pode baixa-lo na internet, mas se você porventura encontrar alguém vendendo por 10 pratas, não quer dizer que ele deixou de ser livre. A questão é que é grandão para baixar numa conexão discada, é mais jog copiar o Cd de algum amigo.
Quando você tem Linux, e tem que fazer um arquio para um amigo que ainda usa Windows, tem como salvar na versão .doc, ou seja qual a extensão for que o seu amigo use. A exceção até agora é do CorelDraw (.cdr) que só roda em windows (por enquanto)
Bem, já deixei bem claro que esse pessoal do software livre já me conquistou e que, de agora em diante, é Linux dominando aqui em casa.
Digito:RIO
http://www.midiatatica.org/digitofagia/digito_rio (com fotos!)
Edite abaixo!
Versão carioca do festival de mídia tática, arte e tecnologia Digitofagia, Digito:RIO consolidou a profusão de trabalhos e grupos que circulam pela cidade mas que ainda não encontraram um ponto de convergência que permita a troca e a expansão de suas idéias. Os dois primeiros dias de festival foram no espaço anexo à rádio interferência, no campus da praia vermelha da UFRJ. O espaço foi literalmente ocupado pelas rodas nômades, um formato mais íntimo de debates que buscavam unir o pragmatismo dos temas com a informalidade necessária à sua prática. O espaço é conhecido por poucos alunos e ainda menos professores. Denominado através do festival de *auditório da rádio interferência*, este foi sinalizado por 4 faixas de político reciclado.
Com transmissão pela rádio, o primeiro tema de discussão foi o bê-a-bá do mídia tática. Na mesa estavam Ivana Bentes, Patricia Canetti, Ricardo Ruiz e Tatiana Wells. Ivana começou a conversa tentando achar a conexão do conceito de midia tática e os movimentos sociais. Boa pergunta. O conceito de mídia tática, registrada por David Garcia e Geert Lovink em uma série de textos (ABC, DEF da mídia tática) e através do festival holandês The Next Five Minutes, apesar de se aliar a diferentes movimentos, do feminismo à moradores e artistas de rua, ativistas na linha de frente das passeatas etc, não atua diretamente ao seu lado e sim é formado por suas hibridades. O termo teria surgido da fusão de campanhas políticas inovadoras contra a AIDS oriundas dos estados unidos ao final dos anos 80 (ACT UP) somado um engajamento crescente de artistas europeus com novas tecnologias barateadas. (Mais em http://www.midiatatica.org/links.htm). A flexibilidade das alianças entre esses diferentes setores, ideologias e identidades seria justamente um de seus pontos mais fortes.
Uma longa discussão se seguiu tentando achar as interseções entre mídia tática, arte e política, ficando a seguinte questão no ar: Será então a arte de hoje terrorista? Ou o terrorismo atingiu patamares quase plásticos com sua infindável e sarcástica repetição na mídia? E o que qualificaria uma arte como tática, já que mesmo o vocabulário é o militar? Patricia Canetti pergunta: Arte não seria tudo que contrói e não o que destrói? O que o manifesto comunista descreve como "tudo o que é sólido se desmancha no ar" e que o economista Schumpeter define como "a destruição criadora" nada mais seriam do que sintomas do avanço do capitalismo sobre novas fronteiras, sejam elas tecnológicas, geográficas, institucionais ou artísticas, e portanto a força-motriz do sistema econômico vigente, e o terrorismo assim como a arte que o mimetiza, apenas uma característica essencial deste modelo. E assim, aparecendo e sumindo do assunto, sem uma resposta que coubesse na quantidade de complexidade interiores, arte e terrorismo foram sucedidas por uma oficina da Universidade Nômade e da revista Global, apresentada por Giuseppe Cocco.
Inclusão x Fora
Defendendo a bandeira de ser contra o racismo e exigindo cotas para afro-descendentes nas universidades públicas, no entanto sem questionar mudanças de currículo ou no macro-sistema que privilegia os que tem dinheiro para ingressar nas instituições acadêmicas públicas, o conceito da Universidade Nômade pressupõe que a quantidade de representantes *raciais*, por si só, já mudaria a cara da universidade. O que interessa seria ter um maior número de pessoas que tenham acesso a um sistema público de ensino. E talvez até o próprio sistema de ensino fundamental, já que a universidade formaria novos professores.
Apesar de preconizar um novo modelo de universidade, a revista Global (que a teoriza) tem um formato bem tradicional, para não dizer elitista. Poderia ela ser usada como um instrumento revolucionário necessário à urgência das questões?
A mesa seguinte deu algumas respostas mais pragmáticas ao assunto. Na mesa estavam Romano, Zé Mauro, e Giuliano. Intitulada Rádio Livre & Rádio Arte, o debate começou com um depoimento do artista plástico Romano, da rádio Madame Satã, que fez um breve relato de sua insatisafação com o modelo chamado comunitário e a impossibilidade de um uso mais criativo do meio dentro deste formato. O conteúdo foi mesmo o tema central dessa mesa. Rádio Livre é um formato que permite que qualquer um tenha acesso aos meios de produção de um programa de rádio, mas que não interfere necessariamente no que é veiculado. Encontra-se em uma rádio livre desde axé e pagode até colagens de som e outros formatos como transmissão de debates e peças. O movimento de rádios livres é um dos mais articulados no brasil, e basicamente já está lidando com os problemas de um acesso irrestrito aos meios de produção, como por exemplo, conteúdo controverso.
Usando um exemplo extremo como o racismo, a discussão se bipolarizou entre a necessidade de censura ou inibição de certos conteúdos ou pessoas que não tenham um pensamento dito de *bom senso*. Na rádio livre não haveria um dono, ou seja, alguém responsável pelo conteúdo veiculado. Em um mundo em que a esquerda cerceia a liberdade de expressão atrás de um (impossível?) consenso e a direita não aceita a divergência nata do ser humano, a discussão ficou bem acalorada. Uma possível conclusão sobre o conteúdo muitas vezes despolitizado dos que utilizam a rádio livre, é que ele só poderá mudar quando pessoas que tenham um conteúdo mais *relevante* utilizem o espaço da rádio, até que tornem-se maioria.
Com gostinho de quero mais, o debate encerrou-se com um saldo bem positivo, revelada uma antena pensante dentro do próprio espaço disputado da universidade. Com um carteado que pretendeu formar um léxicon do festival carioca, público e debatedores escreveram em cartas de baralho palavras que sintetizaram os debates.
O segundo dia de roda nômade teve o tema Conhecimento em Rede: Software Livre e Propriedade Intelectual e juntou uma gama de atores de diversas disciplinas para conversar. Na mesa estavam Tatiana Roque, Simone Michelin, Magaly Pazello, Hermano Viana, Ronaldo Lemos e Enrico Zimbres. Começando com a pergunta, propriedade intelectual para quem? Qual caminho seguir se mesmo comunidades orais como as indígenas, construida de conhecimentos tradicionais tem que hoje se aliar aos mecanismos (i)legais do *homens brancos* (ex: Inbrapi)?
Lemos nos explicou que o Creative Commons propõe um modelo de licença flexível, que pode ser adaptado às necessidades de cada um. Mas será necessário uma licença para não se ter licença? Infelizmente, no mundo em que vivemos a resposta é sim. Assim como no sistema econômico atual, software livre também é uma escolha política. O conteúdo livre seria o resultado dessa interação.
Ressaltando a diferença entre direito autoral e patente, ou seja, entre patentear uma idéia (processo) ou um produto, a roda chegou à conclusão de que esta seria também a diferença da arte nos dias de hoje (arte contemporânea). O fazer da arte, o processo, como principal articulador de poéticas possíveis. Magaly levantou o ponto da licença autoral ser um modelo do século XIX, e o que estaríamos fazendo seria somente adaptá-la à realidade atual. E por isso este seria um momento decisivo na europa para não instituir a indústria. Felix Stalder comentou o caso de munique em que 13000 máquinas da prefeitura estariam para ser migradas para software livre. Todos concluiram a importância da europa em todo esse processo pois está prestes a julgar se é razoável ou não patentear softwares. Esta decisão influenciaria todo o resto do mundo. Não! bem claro e alto.. E o conflito seria (será, é) inerente a todos os governos.
O Brasil foi destacado em suas políticas públicas em relação ao software livre, mas deve-se reconhecer que ainda o faz contraditoriamente, com testes da polícia em software proprietário. Ou um projeto como Pontos de Cultura que reconhece a prática de ativistas e produtores de mídia independente, mas só o disponibiliza em parceria com ngos.. Ou a não existência de financiamnetos para um segmento cultural em mídia-arte. E principalmente através do reconhecimento que já está em prática um mercado sólido, paralelo, de produção áudio-visual, com um ligação de norte ao sul do país, sem que o sistema dê conta de absorver tudo isso. Este assunto, que perpassa todas as redes e todos os campos do pensamento e da atividade humana, mas que ainda faz alianças efêmeras, para ser reconhecido em seu todo, precisaria mais do que uma estratégia governamental ou institucional. Mas como uní-las?
DJahjah lembrou da TV Digital e da Internet e as novas possibilidades de produção e divulgação de conteúdo. Certamente se este fosse implementado, através da Ancinav, que pretende regular quem produz e distribui conteúdo (ardorosamente defendido por Tati Roque), justamente permitiria que qualquer um produza e distribua o conteúdo que quiser. Qualquer um? Simone lembrou que os serviços de telecomunicações são muito caros. Mas daqui a pouco você poderá fazer filmes de ótima qualidade do seu celular, certamente ampliando o conceito de áudio-visual.
Sábado de oficinas e vídeos
Os dois dias seguintes de festival foram realizados na Rádio Madame Satã e no Projeto Subsolo, ambos na Lapa. As oficinas foram de instalação de software livre com o grupo pró-linux dentro da universidade do estado do rio de janeiro, o LINUERJ, e edição de áudio e webrádio com Romano com um público total de 15/20 pessoas. Ao mesmo tempo, na garagem do Subsolo, uma mostra internacional de primeiríssima qualidade, curada por carlos sansolo e intitulada *a sociedade da informação e seus descontentes* juntos vários passantes e interessados no tema. Érika seguiu a linha dedo-na-ferida com uma mostra chamada *questões relacionadas ao feminino*. Durante todo o sábado foram distribuidas mudas de tomates orgânicos em uma acão contra os trangênicos chamada *o dragão da maldade contra o santo tomate* de tatiana e ricardo (contratv.net) junto a um folheto com texto de cícero gontijo - a luta ainda não está perdida, devemos agora exigir que pelo menos identifique-se no alimento se este for geneticamente modificado. Uma burn station também foi instalada no local, junto a uma instalação de Moana Mayall.
O último dia de festival foi sem dúvida o mais concorrido com mais de 100 pessoas circulando por todo o dia. Filmes sobre produção independente e mídia e crianças foi seguido de uma terceira mostra de vídeos, esta do coletivo carioca do Centro de Mídia Independente que arrancou aplausos da platéia. Ao final da tarde vários grupos de artistas de rua e grafitti que voltavam de uma ação chamada Attack+ cobriu o muro em frente ao Subsolo com stencils, grafites, pinturas e recados. Destaque para as meninas da TPM Crew que com uma louca que circula pelas ruas da lapa registrou a força das mulheres e a oficina de stencil de carlos contente que levou várioas pessoas (em sua maior parte mulheres) a desenharem pelas ruas e chãos do centro do rio suas frases e imagens.
Encerrando o festival o excelentíssimo! s.o.m (seres operando matéria), planoB, projeto plug e dj coisa fina - dani labra), que encerraram o domingo com boa dose de experimentacão sonora e uma seção eletro-acústica onde sons diversos eram conseguidos de uma parafernália que incluía molas em cordas de guitarra, pedais de efeito em instrumentos de percussão e laptops. Destaque para o equipamento de som que dispunham os djs - dois walkmans e um pequeno mixer. Os americanos dos Neurotransmitters fizeram uma transmissão fm com entrevistas e som do festival.
Informal e espontaneamente criativo foram as principais características da digitofagia carioca. Com certeza não há marasmo na cidade preguiçosa. Uma articulação mais estratégica urge.. Os espaços foram tomados ;)
x
E você, o que achou?
Abaixo, meu depoimento sobre o primeiro dia do DigitoRIO.
abraço.
Roda Nômade na rádio Interferência abre DigitoRIO e
II Semana Nacional pela Democratização da Comunicação
Por Bruno Zornitta
Por volta das 16h45m desta quinta-feira, no auditório da rádio livre Interferência, na UFRJ, (campus da praia vermelha), um grupo de pessoas se reunia para debater temas relacionados à comunicação. Foi o primeiro dia do Digitofagia, evento que visa “repensar a prática antropofágica na era dos computadores”, como descrito em sua programação (www.midiatatica.org/digitofagia). O festival será realizado em 11 dias, os quatro primeiros no Rio (DigitoRIO) e os demais em São Paulo. O evento foi incorporado à programação da II Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, promovida pela ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação.
Os presentes formaram uma “Roda Nômade” - assim nomeada devido ao seu caráter transdiciplinar - para um bate-papo que foi dividido em três temas principais: “O bê-a-bá da mídia tática”, “Universidade Nômade e Global” e “Rádio Livre, Radioarte”. A conversa passou por questões como arte, ativismo, comunicação alternativa, terrorismo e governo Lula, levantando diversas polêmicas.
Um dos pontos altos da tarde foi a discussão sobre o conteúdo transmitido pelas rádios livres. Estas, como no caso da Interferência ou da rádio Muda, de Campinas, concentram-se na “forma”, que é dar voz a qualquer um que deseje ter um programa, deixando o conteúdo livre de qualquer regulação.
A forma de organização das rádios livres foi questionada por alguns participantes, como Mauro José Costa, da rádio Kaxinawá, Romano, do Projeto Ondas, e Guiuseppe Cocco, da Universidade Nômade, para os quais é preciso haver algum tipo de controle do conteúdo veiculado. Para eles, a liberdade irrestrita daquelas rádios, que permite a transmissão de conteúdos nazistas ou sexistas, por exemplo, seria prejudicial ao público. Esse problema poderia ser evitado com reuniões de pauta, na opinião destes participantes.
Do ponto de vista daqueles que defendem a forma de organização adotada pelas rádios livres, como os programadores da Interferência, Giuliano Djahjah e Ricardo Ruiz, o microfone deve ser aberto a todos, sem exceção e sem qualquer controle de conteúdo. Segundo Djahjah, a idéia é a subversão pela forma, gerando um discurso que não é nem o hegemônico, nem o contra-hegemônico: um discurso realmente alternativo. O programador da rádio colocou também a questão da desobediência civil. Ele disse que a Interferência não busca regulamentação por questionar a legislação existente e pelo contexto das concessões públicas de radiodifusão no Brasil.
voltar
DigitoFagia
There are no comments on this page. [Add comment]